terça-feira, 17 de maio de 2016

A arte de manter a tradição e a arte de transformar


                                                                                              Miriam Lamas Baiak

Toda nação possui tradições que a ajudaram a se afirmar e a se consolidar no mundo; que a princípio foram inventadas e então seguidas, formando assim diferentes civilizações, povos, tribos, sociedades ao redor do mundo e ao longo dos anos. O que se configura nestas tradições é nossa cultura, e desprezá-la pode ser perigoso, segundo Gasset (citado por Marcos Junior).
Para Levy-Strauss esta era de mundialização pede a preservação das diferenças culturais, ou pelo menos a conservação em memória viva destas; pois não é o conteúdo histórico destas culturas/tradições que é importante hoje, mas sim sua diversidade. Precisamos e necessitamos viver com a diversidade.
Vivemos em mundo onde em tudo se busca o novo, e que de certa forma, em muitos casos, vem para desprezar o antigo, sem dar valor ao de onde venho e de onde viemos. E o problema está em saber o que deve ser mantido e o que deve ser mudado, o que funciona nos dias de hoje e o que não funciona; em saber respeitar o passado que nos fez chegar a este presente. E em saber que a tradição pode ser um ponto de partida para que cada um crie seu caminho, mas antes de muda-la, precisa-se conhece-la por completo.
O novo pelo novo, muitas vezes não basta, é apenas um “velho” disfarçado de “novo”; sem raízes, sem fundamentos. Toda invenção precisa de uma base para se estabilizar. Tradicional e moderno devem ser integrados.
Assim, penso que na dança o mesmo deve ocorrer. Porque desprezar as danças tradicionais? Porque apenas o contemporâneo teria importância nos dias de hoje? Não estou afirmando que isto seja um quadro geral, mas já vi e já ouvi muito isto e sei que muitos outros também.
O ballet clássico mantém uma tradição de algumas centenas de anos, mas não é mais o mesmo, ele evoluiu, ele vive seu contexto histórico presente. Se têm dúvida é só ver as primeiras fotos e primeiros vídeos para perceber o quanto a técnica evoluiu; ver as primeiras coreografias montadas e as novas composições. O ballet clássico entende e mantém a tradição, mas também busca o novo, ele “não vive no passado ou é ultrapassado” como já ouvi falar. Este é apenas um exemplo entre tantos outros.

Enfim, na dança também é possível manter as tradições e também é possível fazer o novo, sem menosprezar aquilo que já existiu e aquilo que é diferente do que você faz. A arte de manter a tradição e a arte de transformar podem ser feitos simultaneamente, o importante é fazer com qualidade.

Inovação

Tradicional