quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Quando o ballet encontrou a Índia

Segundo Kirstein (1977) os ballets no século VXIII com características nacionais distantes, como da China, Persia, Índia e México eram mais populares que ballets sobre Grécia e Roma.
Existem vários relatos ocidentais sobre as dançarinas indianas. Marco Polo teria sido o primeiro a cita-las no século XIII. Nicolò dé Conti, em 1420, escreveu sobre as procissões com suas dançarinas em festivais na Índia. E, posteriormente, Domingo Paes, entre outros, iriam retrata-las.
Relatos publicados em francês e inglês, em 1670 e 1671, por Bernier, tornaram-se temas para ballets e óperas do século XVIII e XIX. E o poema de Vitor Hugo, Les Orientales, também foi responsável pela moda oriental em Paris, segundo Bor (2010).
No final do século XVII e começo do século XVIII textos religiosos indianos começaram a estar disponíveis na Europa, e sua disseminação influenciou o Romantismo europeu, que se apropriou de sua cultura nativa, ideias e conhecimento; fazendo um intercâmbio entre ocidente e oriente (SCOBIE, 2013). Segundo a autora, escritos românticos, de Goethe até Shelley, imaginavam as devadasis (dançarinas consagradas aos templos hindus) como uma personificação fisicamente alegre e sexualmente sagrada; e que esta visão poderia ter tido um efeito perturbador no ocidente. Mas, interpretações etnográficas e missionarias poderiam sugerir que o sagrado e o sensual poderiam coexistir.
Abbé Guillaume Thomas Raynal se referiu a elas como balladieres no século XVIII. E Pierre Sonnerat trocou o termo português bailadeira para o francês bayadère; o que influenciou muitos autores no século XIX a usar esta palavra como uma palavra indiana. Segundo Scobie (2013), a evocação e orientalismo da palavra bayadère é um exemplo de uma construção ocidental de um fenômeno oriental que ainda é usado hoje.
Johann Wolfgang von Goethe escreveu o poema Der Gott und die Bajadere em 1797, e foi o responsável pelos libretistas começarem a introduzir como tema a ‘bayadère’ para ballets e óperas. Philippo Tagliono coreografou Le det la bayadère ou The maid of Cashmere em 1830, na Ópera de Paris.
Em 1814 a paixão de Jacob Haafner’s pela devadasi Mamia, foi a inspiração de Gaetano Gioja para o ballet I riti indiani, estreado no Teatro Scala em Milão. O trabalho de Haafner’s é a principal fonte sobre dança indiana no começo do século XIX; e foi fonte de grande importância para Théophile Gautier e outros críticos franceses. (BOR, 2010)
Segundo o autor, a primeira apresentação profissional de devadasis  na Europa foi em 1º de outubro de 1838 no Teatro Variétés em Paris; anunciado nos jornais franceses e ingleses. O Journal des débats publicou que a Europa dançava com os pés, mas era apenas isto. Que a dança da Europa não tinha estilo e expressão. Já as bayadères dançavam de uma forma diferente; todo o seu corpo tremia. Uma mistura de gentiliza e fúria; alguma coisa estranha, impetuosa, apaixonante e burlesca. Como se o Deus do templo as perseguisse até o fim. Théophile Gautier, escritor francês, escreveu que eles foram ver algo estranho, misterioso e charmoso, alguma coisa completamente desconhecida na Europa, alguma coisa nova; que assim como outros, ele havia ficado fascinado. E que segundo um correspondente, elas atraíram muita atenção, inclusive que ameaçavam eclipsar Taglioni e seu trem de fadas.
Em 1838 elas também foram atrações em Londres. As pessoas faziam filas no teatro e ficavam impacientes com a espera. Foi dito que suas formas eram simétricas e perfeitas; que podia-se ver a mente através dos olhos, algo absolutamente magico (BOR, 2010). Segundo Ullattil (2010) a conclusão do anuncio feito para a apresentação no Egyptian Hall dizia: está dança hindu é totalmente diferente das outras; isto é pantomima da emoção, exibindo o fluxo da alma, não de espíritos de animais. O autor também diz que um anúncio publicitário, chamado “o segredo da elasticidade das bayadères”, escreveu que estas dançarinas surpreendentes espantaram os parisienses e londrinos por sua elasticidade inigualável de movimento. Taglioni, Duvernay e Elslers tiveram que dar lugar a suas rivais indianas.
Assim, a dança indiana encantou o público europeu e além de servir de tema para os ballets da época, influenciou seus passos. Um exemplo podemos ver nas fotos do ballet “Deus azul”, de Fokine, com características das miniaturas mungals, das pinturas nas cavernas de Ajanta na Índia (KIRSTEIN, 1977). Um outro exemplo, segundo Gupta (2013), é que os ballets criados por Anna Pavlova, “Radha e Krishna” e “Hindu wedding”, são uma mistura das duas técnicas; e que está fusão foi uma tendência que pode ser vista em outras produções.

Autora: Miriam Lamas Baiak
Deus Azul

La Bayadère


quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Aulas 2016

CECCONELLO ESCOLA DE DANÇA


QUARTAS
16h Bollywood e Bharata natyam Intermediário
20:15h - 21:15h Bharata natyam iniciante

TERÇAS
19h – 20h Bollywood básico

QUINTAS
19h – 20h Bharata natyam básico

R. João Bettega, 449B Fone 3039 0610
* Inicio das aulas dia 11/01.

NOSSO ESPAÇO

SÁBADOS
13:15h – 14:30h Bollywood
R. Barão do Rio Branco, 261 Fone 3039 0610

* Inicio das aulas em fevereiro