sábado, 3 de novembro de 2012

Abhinaya - Festival de Artes da Índia

A primeira etapa do festival aconteceu em maio na Biblioteca Pública do Paraná com mostra de filmes indianos.
A segunda etapa em outubro com palestras gratuitas sobre dança e yoga, e workshops de Bollywood e Bharata natyam. E para terminar um espetáculo de dança e música indiana  com os grupos Natyakshithi, Aatmalaya, Vraja Mandala, Angelo Esmanhotto, Rodrigo Fonseca e Valdeci Bientecourt.
Abaixo segue algumas fotos e video:









 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Dança étnica X dança clássica


Dança clássica pode ser considerada étnica?

O Bharata natyam, Odissi, Kuchipudi, Kathak, Kathakali, Manipuri e Mohiniattam são danças clássicas indianas, não podemos classifica-las como folclóricas, mas podemos dizer que são étnicas?
Segundo o dicionário, étnico é tudo aquilo que pertence à um povo, à uma nação, à uma etnia e que possue uma tradição. Assim podemos dizer que tanto as danças clássicas quanto as folclóricas são étnicas, pois pertencem à um determinado país. Desta forma, as danças clássicas indianas são danças étnicas da Índia. Pois, a palavra "étnico" não classifica, apenas diz que algo pertence à uma nação.

Dê sua opnião sobre este assunto através do email: natyakshithi@gmail.com 


Publicado na Revista Dança Brasil, setembro/2012

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Palestras e workshops

 O Festival Abhinaya, no próximo mês de outubro, vai oferecer palestras e workshops além de apresentações. Confira a programação:

Dia 20/10: 

9:30h às 10:30h palestra sobre a relação entre dança e yoga
11:00h às 12:30h workshop de bollywood
14:30h às 15:30h palestra sobre historia da dança clássica indiana
16:00h às 19:00h workshop de bharata natyam - abhinaya

Valores:
Bollywood: 50 reais
Bharata natyam: 80 reais
Os dois workshops: 110 reais 

Palestras: gratuitas

Local:

Cecconello escola de dança
Rua João Bettega, 449 B (próximo ao Colégio e Faculdade Bagozzi)
cecconellodanca.wordpress.com 
Fone: (41) 3039-0610


 


Dia 21/10:

Apresentação de dança e música indiana no Sesc Água Verde, Av. República Argentina, 944 às 17hs. Ingrsssos: 10 reais (inteira) e 5 reais (meia)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

30 Festival de Dança de joinville - 2012

O grupo Natyakshithi este ano participou do festival através do Dança Indiana Brasil, com as bailarinas Miriam Lamas Baiak e Krishna Sharana.
 
 
 
Revista Dança Brasil, mês de agosto
 



30º FESTIVAL DE DANÇA DE JOINVILLE

            O festival de dança de Joinville, em Santa Catarina, é realizado todo ano no mês de julho durante 10 dias. Atualmente é o maior do mundo, considerando o número de participantes.
            Nesta época a cidade vive a dança, com apresentações gratuitas na Feira da Sapatilha, shoppings, praças, empresas, hospitais e nas ruas. No teatro acontece a competição de todos os estilos e a Mostra Contemporânea com grupos selecionados. Os participantes também podem fazer cursos, assistir seminários, palestras e trocar experiência.
            Para as apresentações no palco aberto e para a competição é necessário passar por uma seletiva, nas demais atividades é só fazer a inscrição.
            Em 2010 o grupo “Padma” de Florianópolis participou da noite competitiva com uma coreografia de Bollywood. Ano passado o grupo “Natyakshithi” participou dos palcos abertos com a bailarina Miriam Lamas Baiak. E este ano esteve presente o “Dança Indiana Brasil” com as bailarinas Krishna Sharana Devadasi e Miriam Lamas Baiak, apresentando-se na Feira da Sapatilha, na Praça Nereu Ramos e no Shopping Müller com 3 coreografias de Bharatha natyam:
O “Ganesh Katutwan” é um dos itens mais antigos ainda apresentados. “Katutwan” significa hino, e este em especial é uma homenagem ao Deus Ganesh.
“Bho Shambo” é a dança poderosa de Shiva Tandava; revelando Shiva como o Senhor da yoga e da dança. Nesta canção ele é adorado de diversas formas como Nataraja, Dakshinamurti e Lingam.
E o “Jatiswaram” um dos itens do repertório, onde “nritta”, a dança pura, é mostrada em diversos “jatis”, tempos rítmicos.
            A curiosidade de muitas pessoas fez com que viessem conversar conosco antes e após as apresentações, desta forma, além da dança também tivemos a chance de falar um pouco sobre a cultura indiana. Assim, além de divulgação tivemos reconhecimento, onde o púbico soube apreciar e valorizar o Bharatha natyam.
Foi muito gratificante poder mais uma vez divulgar a arte indiana neste festival, onde bailarinos, professores, coreógrafos e público em geral prestigiam a dança em todos seus estilos.
            Os festivais de dança é uma das formas de demonstrar as danças indianas para os brasileiros, para que conheçam a verdadeira cultura indiana e não os seus “clichês”. 



domingo, 13 de maio de 2012

Seletiva da Mostra Paranaense de Dança - ABABTG


Apresentação do grupo na seletiva da Mostra Paranaense de Dança  - ABABTG, no Guaírinha, 06/05. Foi selecionada a coreografia Allaripu para a mostra final em agosto e setembro.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

ABHINAYA - Festival de artes da Índia


PREPARAÇÃO FÍSICA NO BHARATA NATYAM [PARTE 2]


                Quando dançamos corpo, mente e espírito estão conectados. Por isto a dança também é considerada uma forma de yoga. Não podemos falar de anatomia, cinesiologia, fisiologia sem levar em consideração a mente que leva os sinais para nossa musculatura. E não podemos falar de expressão, sem falar do espírito, da alma. Nós somos um todo, podemos dividi-lo em partes, mas nunca elas estarão separadas uma das outras.
                Agora, vamos ver um pouco de anatomia e fisiologia. O interesse por descobrir o quê há em baixo de nossa pele vem de muitos séculos atrás; mas à partir do século XI e XII, particularmente, em Bologna, Paris e Montepellier, a anatomia tomou um novo impulso e não parou mais de evoluir.

                O Bharata natyam exige muito a musculatura das pernas e é delas que vamos falar um pouco.
                A posição básica da técnica é o aramandi, onde os joelhos estão flexionados com rotação externa da coxa. Podendo ser ayatam (quando os calcanhares estão juntos), aleedam (quando a direita está no paralelo), preganam (uma das pernas fica esticada ao lado), presitha (os calcanhares estão separados), prathyaleedam (igual ao aleedam, mas com a esquerda no paralelo), swasthikam (quando uma das pernas está na meia ponta), motitham (pulo na meia ponta no nível do chão e abaixa um dos joelhos), samsuchi (os dois joelhoes estão no chão) e parshwasuchi (apenas um joelho no chão). Todos os passos nestas posições exigem muita força e resistência muscular.

                Nas figuras abaixo podemos ver todos os músculos:



    
                O sistema nervoso central (SNC) é responsável pelas contrações reflexas e pelos movimentos voluntários controlados. Quem transmite, através de energia elétrica, a informação do cerébro para o músculo é  oneurônio; e quando está conexão acontece chamamos de sinapse.
                “A seleção e a realização dos moviemtnos voluntários envolve uma interação entre o córtex pré-motor, os gânglios basais, o tálamo e o córtex motor juntamente com o cerebelo, que age como ‘comparador` para se ter a certeza de que estão sendo realizados os moviemntos almejados.” ( FOSS; KETEYIAN, 2000: 118)
                O aprendizado das habilidades motoras possui um processo complexo, o qual ainda, não se compreende por completo. Quando há um aprendizado motor, existe um “marco” permanente no tecido neural, resultado das repetidas estimulações da prática. Por isto, que com o tempo, dizemos que o movimento ficou automático, que não precisa pensar nele, “ele saí sozinho”; o movimento ficou memorizado.
                As fibras musculares podem ser de lenta (Tipo I) ou rápida (Tipo II) contração, e de maior capacidade aérobica ou anaeróbica. Segundo Foss e Keteyian (2000) uma fibra não pode ser Tipo I e II ao mesmo tempo. No Bharata natyam fazemos todos os adavus (passos) nas velocidades lenta, média e rápida, exigindo os dois tipos da mesma musculatura, exigindo resistência e velocidade de u mesmo músculo. Então, a musculatura exige um tipo de fibra em um primeiro momento, depois outra no segundo momento e quando o esforço é máximo todas as fibras são recrutadas; fazendo o músculo trabalhar com todo seu potencial.
                A força e a potência máxima podem gerar fadiga muscular, que pode acontecer na junção neuromuscular, no mecanismo contrátil (o próprio músculo) e no sistema nervoso central. Na junção neuromuscular é mais comum nas fibras Tipo II, ocasionada pela menor liberação do  transmissor. No mecanismo crontrátil pelo acúmulo de ácido lático, falta de energia e/ou falta de oxigênio e de um bom fluxo sanguíneo. É comum, nos alunos iniciantes de Bharata natyam, acontecer fadiga muscular durante a prática de apenas um adavu; justamente pelo motivo descrito acima, a musculatura é exigida em todo seu potencial.
                Compreender o funcionamento corporal, saber o quê fazer para melhorar a força, a resistência, a velocidade e evitar a fadiga terá consequência na técnica e por sua vez na performance final, onde corpo, mente e espírito estão em perfeita harmônia.

REFERÊNCIAS:
FOSS, MERLE L. KETEYIAN, STEVEN J. Bases fisiológicas do exercício e do esporte. 6 ed. Rio de Janeiro: Fox, 2000.
Rappresentare il corpo – arte e anatomia da Leonardo all’illuminismo. Guida alla mostra – Museo di Palazzo Poggi. Bologna.
RIGUTTI, Regina. Atlas ilustrado de anatomía. Trad. Magdalena Olmedda La Torre. Madrid: Susaeta, 2002.

Fontes eletrônicas:
www.nadanam.com
onlinebharatanatyam.com 

segunda-feira, 16 de abril de 2012

POR QUE É IMPORTANTE SER BAILARINA?


                Tudo no universo está em constante movimento, a Terra, o Sol, a Lua, o homem...E este movimento sempre se transforma através do tempo e do espaço.
                Antes de falar, o homem dançou, por tanto a dança é a mais antiga linguagem humana. Foi através dos movimentos corporais que homens, mulheres e crianças se comunicavam entre si, com a natureza e com os deuses. Está dança foi se desenvolvendo em diversos lugares e épocas, e assim as diferentes técnicas e estilos surgiram, cada qual com seu  propósito.
                A dança passou das cavernas aos templos, dos templos para as côrtes, das côrtes para os teatros, e dos teatros para as ruas e para as escolas. Sendo assim, uma forma de comunicação, religião, entretenimento, lazer, arte, conhecimento e educação.
                Ser bailarina é fazer parte deste mundo tão diverso em suas formas e sentidos.
                Ser bailarina é trabalhar o físico, fazer alongamentos, criar força, resistência, equilíbrio, coordenação. É trabalhar o cerébro, a memória, o raciocíneo; decorar a sequência, contar a música, lembrar de como o movimento deve ser feito, tudo junto e em 1 segundo.
                Ser bailarina é levantar a cada queda, superar cada dificuldade, buscar a perfeição e ser capaz de acreditar que amanhã ela pode ser muito melhor do que foi hoje.
                Ser bailarina é expressar o que as palavras não podem dizer, é sensibilizar a alma das pessoas. É ser capaz de ultrapassar barreiras e dizer à todas as línguas e à todas as classes.
                Como diz Santo Agostinho:
“Eu louvo a dança, pois ela liberta as pessoas das coisas, unindo os dispersos em comunidade.
Eu louvo a dança, que requer muito empenho, que fortalece a saúde, o espírito iluminado e transmite uma alma alada.
Dança requer o homem libertado, ondulado no equilíbrio das coisas.
Por isso eu louvo a dança.
A dança exige o homem todo ancorado em seu centro para que não se torne, pelos desejos desregrados, possesso de pessoas e coisas, e arranca-o da demonia de viver trancado em si mesmo.
Ó homem, aprende a dançar!
Caso contrário, os anjos não saberão o que fazer contigo.”
               
                Por isto é tão importante ser bailarina!

sexta-feira, 6 de abril de 2012

PREPARAÇÃO FÍSICA NO BHARATA NATYAM


Atualmente existem muitas discussões entre a dança e a educação física. A educação física diz que dança é atividade física, por tanto, deve fiscalizá-la e a dança se defende dizendo que é arte. Sim, dança é arte, sou totalmente à favor desta posição, dança não é esporte, mas também não devemos esquecer que dança é também uma atividade física que necessita de conhecimento anatomico, cinesiológico, fisiológico, etc além da técnica.
Soares e Escobar (apud NISHLOKA e cols, 2007) dizem que a dança possui poucas informações sobre aspectos fisiológicos, morfológicos e médicos. Segundo Shah (2008) o ballet é tão rigoroso quanto a um esporte. E, eu me pergunto: e a dança indiana? Sim, a dança indiana Bharata natyam é tão rigorosa quanto ao ballet e ao esporte.
Na dança, na maioria dos casos, se preocupa apenas com a técnica; muitos acreditam que a preparaçào física acompanha a técnica, e que não há necessidade de um trabalho paralelo.
Mas, um treinamento não diz apenas a uma capacidade. Ele é compreendido pelo desenvolvimento da capacidade cardiopulmonar e neuromuscular, pela aquisição de técnica, pela apreensão da tática, pela mobilização das forças psíquicas, pela medicina desportiva e pela sua prevenção, pela intervenção social, pela alimentação, pelos hábitos de vida e pela recuperação, sendo que Tubino (1979 apud DANTAS, 1998) coloca o treinamento em uma pirâmide, onde a base é a preparação médica (manutenção das condições de saúde), seguida pela preparação física, preparação técnica, preparação tática e no topo pela preparação psicológica.
No esporte temos um profissional para cada capacidade a ser desenvolvida, na dança isto não ocorre, tudo fica a cargo do professor. Este é um dos motivos que vejo para a preocupação na dança ser apenas técnica. É raro uma escola ou uma cia que tenham diferentes profissionais para trabalhar com os bailarinos.
A preparação técnica é a execução máxima em eficiência com o mínimo de esforço sobre um determinado movimento, alcançado através de um conjunto de atividades e ensinamentos; sendo que a técnica em si proporciona a mais perfeita execução  de um determinado movimento ou atividade, segundo Dantas (1998).
Já a preparação física
constitui-se pelos métodos e processos de treino, utilizados de forma seqüencial em obediência aos princípios de periodização e que visam levar o atleta ao ápice de sua forma física especifica, a partir de uma base geral ótima. (apoud cit. 1998:37)

Para Spitz (1975) apud Weineck (2003) o desenvolvimento da técnica deve ser paralelo com a preparação física; o mau desenvolvimento de um, impede que o atleta atinja seu potencial máximo.
E pelas definições acima podemos ver que a preparação física é a base para um bom desenvolvimento da técnica.
No Bharata natyam, assim como no ballet, a musculatura da coxa e o joelho são bastante requisitados, e muitos bailarinos acabam tendo problema de joelho, e às vezes, até param de dançar.
Pela minha experiência percebi que muitos bailarinos não sabem como usar a musculatura da coxa para aliviar o joelho nas decidas (mohitham, samsuchi, parshwasuchi), outros não tem resistência para manter o aramandi, e outros ainda não possuem resistência aeróbica. Os exercícios de aula são anaeróbicos, as coreografias são aeróbicas, e acontece que muitas vezes o aluno não dá 100% nos ensaios e quando chega no palco quer fazer 120% e levando em consideração o aspecto psicológico, que também não possue um trabalho específico, acaba não aguentando.
Acredito, que o professor pode dar alguns “toques” para o aluno quanto à estas questões. Mas, acredito também que um trabalho paralelo de preparação física, levando em consideração o desenvolvimento cardiorespiratório, a força, a resistência, o alongamento, entre outros, iria melhorar o desempenho do aluno e/ou bailarino em sua técnica.
Quando uma raíz é boa, a árvore cresce forte e bonita. Se a preparação física é boa, cresce um bailarino forte com uma técnica “limpa”. E se o bailarino possui uma boa preparação física e uma boa técnica, as dores no joelho, a falta de resistência não vão existir em sua dança, e ele vai se preocupar apenas com o que tem para passar ao público: expressão!!!!!