sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Personalidades da dança indiana


Balasaraswati


    Vinda de uma família com tradição em dança e música, na côrte de Tanjore, e descendente do sistema devadasi, Balasarswati nasceu em Madras, em 13 de maio de 1918. Começou seus estudos na dança em 1923 com Nattuvanar Kandappa Pillai e na música com Jayammal, também teve outros renomados professores. Fez sua primeira apresentação (arangetram) aos 7 anos de idade em 1925; mostrando seu talento para a dança.
    Dançou em vários países e ganhou muitos prêmios. Foi considerada a rainha da expressão, pois no seu trabalho era enfocado o abhinaya.
   Além de ministrar aulas na Índia também ministrou aulas nos Estados Unidos. E cantava cantos de louvor aos deuses em suas apresentações, segundo Joaquim (2008).
   A arte foi sua vida e teve toda sua dedicação. Para Menon (s.d.) todas as tradições, de todos os lugares, tiveram vários artistas importantes, mas na Índia havia apenas uma: Balasaraswati. 
   
Ram Gopal

    Nasceu em Bangalore, sul da Índia, em 20 de novembro de 1912; e tornou a dança sua vida. Aprendeu bharata natyam com os gurus Meenakshisundaram Pillai e Kattumanarkoil Pillai, kathak com os gurus Jailal e Sohalal, e kathakali com os gurus Kunjukurup e Vallatol Narayanam Menon. Gopal afirmava “meu lado direito é Bharatha Natyam, o esquerdo é Kathakali, e em minhas pernas repousa o Kathak” (JOACHIM, 2008). Segundo Khotari (2000) tinha uma brilhante imaginação, e uma harmonia excelente entre expressão e nritta (dança pura e vigorosa). E teve sua inspiração em Uday Shakar, bailarino indiano que fez parte da companhia de Anna Pavlova (bailarina clássica).
    Em 1936 faz sua primeira turnê, é o primeiro bailarino indiano a se apresentar no ocidente; e é considerado pela critica o Nijjinski (renomado bailarino clássico ocidental) da Índia, segundo Khonkar (2003); fazendo sucesso nos teatros mais importantes do mundo.

Dois filmes foram feitos sobre sua vida: “Ram” e “Aum Shiva”.


Rukmini Devi

    Nasceu em 29 de fevereiro de 1904, em uma família brahmin. Seu pai, Nilakanta Sastri, fazia parte da Sociedade Teosófica; área pela qual Rukmini também se interessou, e aplicou em sua vida e mais tarde em sua escola; sua mãe era Seshammal, dedicada a música. Aos 16 anos casou-se com o Dr. George Sydney Arundale, um estrangeiro. Faleceu em fevereiro de 1986.

    Em uma viagem de navio para a Austrália com seu marido conheceu a famosa bailarina russa Anna Pavlova; e começou a fazer ballet clássico aos seus cuidados com Cleo Nordi (um de seus bailarinos solistas), e posteriormente dança indiana por sua indicação.
   Começou seus estudos em bharathanatyam no ano de 1932, com 29 anos, com Gowri Amma, Pandanallur Meenakshi Sundaram Pillai e depois com E. Krishna Iyer na Madras Music Academy, onde se mantinha a tradição do quarteto de Tanjavur. Sua primeira apresentação foi em dezembro 1935, com 31 anos, na “Diamond Jubilee Convention of the Theosophical Society”, com um público de duas mil pessoas; e sua primeira turne em 1939. E sua última apresentação foi em 1950 com 46 anos.
   Foi uma das responsáveis pelo renascimento do bharata natyam, tirando a parte erótica da dança e colocando um significado espiritual, suas coreografias adoravam os Deuses e não princípes e reis; introduziu a dança-teatro neste estilo de dança . Revisou o figurino e lutou pelo fim do sistema devadasi, afinal sua família não pertencia a este sistema. 
   Criou a Kalakshetra – Foundation College of fine Arts (academia dedicada à arte em Chennai) em 1936; ao lado de renomados gurus; atualmente é considerada a melhor escola de bharathanatyam da Índia; usando o sistema guru – sishya, um processo de ensino entre professor e aluno e não mais de geração para geração; sendo permitido também o ensino a estrangeiros e pessoas de outras religiões. Em 1993 a Kalakshetra foi considerada um instituto de importancia nacional pelo ministro de recursos humanos e desenvolvimento da índia. 

Krishna Iyer

    E. Krishna Iyer nasceu em 9 de agosto de 1897  e morreu em janeiro de 1968; formado em advocacia lotou pela independência da Índia e pelas artes.
    Sua luta pelo renascimento do Bharata natyam começou quando ele integrou o grupo de teatro Suguna Vilasa Sabha e aprendeu a dança Sadir (bharata natyam). Fundou a Academia de Música em Madras e tornou-se critíco de arte. Uniu-se a Rukmini Devi Arundale para revitalizar está dança que estava em declínio.
    Em 1932 nomeou a dança Sadir como Bharata natyam (dança da Índia) e tirou toda a parte erótica da dança, trabalhando pela abolição do sistema devadasi; que foi conseguido pela lei em 1947. Desta forma contribuíu para o reflorecimento da dança indiana.


Uday Shankar


    Nasceu em 8 de dezembro de 1900, em Udaipur – Rajasthan, e morreu em 26 de setembro de 1977. Foi o pioneiro da dança moderna na Índia, adaptando técnicas ocidentais e indianas; apesar de não ter tido um treinamento formal em nenhuma destas técnicas. Foi um renomado bailarino e coreógrafo criativo, recebendo diversos prêmios.
    Foi em Londres que Uday Shankar começou a mostrar ao mundo a dança indiana, tornando-se também um empresário amador e aluno do Royal College of Art, conhecendo a famosa bailarina Anna Pavlova, com qual mais tarde iria dançar e produzir espetáculos baseado em temas hindus, antes de seguir sozinho e com sua cia pelo mundo.
    Na Índia, fez seu único filme, Kalpana (imaginação); e dançou em um filme produzido em Maras pelo Gemini Studio. E se reestabeleceu na Índia em 1960 deixando um legado imenso para a dança indiana e arte mundial.

Quarteto de Tanjore

    O Bharata natyam que conhecemos hoje é o resultado do trabalho feito na primeira metade do século XIX pelo Quarteto de Tanjore (Chinnaiya, Ponaiyah, Sivananda e Vadivelu). Estes irmãos deram forma a dança, criando o Margam (repertório),  na ordem que conhecemos atualmente: do alaripu até a tillana.
    Também contribuiram com a sistematização dos adavus (passos), criando uma sequência lógica  e progressiva numa determinada tala (ritmo). Criaram músicas especifícas para a dança e para cada item do repertório.

BAILARINOS ESTRANGEIROS QUE CONTRIBUÍRAM 
PARA A HISTÓRIA DA DANÇA INDIANA

Anna Pavlova


    Segundo Ribas (1962) Pavlova, bailarina russa, era sacerdotisa e apóstola da religião e da arte, e levou a dança para o mundo, fazendo com que pessoas de todas as nacionalidades e crenças se dedicassem a arte da dança. Muitos críticos dizem que ela não era grande em sua técnica, mas sim em sua arte e em seu gênio, por isso que foi e é admirável e ninguém conseguiu ser mais sublime.
    No décimo aniversário do Marinsky (teatro russo), Anna Pavlova apareceu dançando “La Bayadere”, baseado na vida de uma devadasi que é apaixonada por um hindu; este período começa seu envolvimento com a Índia. Mas, só em 1921, que Anna Pavlova, juntamente com sua companhia, partiria para o extremo-oriente, que para Ribas (1962) é o momento mais brilhante de sua carreira.
Chegou em Calcutá, Índia, em 1923, com grande sucesso. Apesar de ser um mundo totalmente diferente, como o Japão e a China, que havia estado anteriormente, ali tudo a impressionava e a fazia lembrar da Rússia, de suas igrejas, de sua arte, de sua religião. As danças hindus a emocionavam e decidiu ficar mais tempo em Calcutá para aprender os hastas mudras, adquirindo também o manual sagrado da dança. Segundo Ribas (1962) Anna afirmava que só depois que viu as danças hindus, é que viu a verdadeira dança.
Posteriormente foi para Bombay (hoje Mumbay) e para Delhi, alcançando grande sucesso e se interessando cada vez mais pela arte indiana, e recebendo grandes festas em sua homenagem. Quando saiu da índia, seu desejo era levar as danças hindus para a Inglaterra, e fazer um novo bailado onde pudesse acrescentar a riqueza oriental.
    Fez pequenos ballets interpretando danças indianas e japonesas, no “Impressões Orientais”, e no bailado “Os Frescos de Adjunta”, apenas dança hindu; em apresentações audaciosas. Foi na montagem destes ballets que conheceu Uday Shakar, aluno da Royal College of Arts, entrando em sua companhia enriquecendo suas coreografias; aproximando as técnicas do ocidente e do oriente, pois conhecia tanto as danças sagradas e populares hindus, quanto às danças e os teatros japoneses e chineses.
    Uday compôs cenas para Impressões Orientais, tanto na primeira parte baseada nas danças japonesas quanto na segunda, no Casamento hindu, nas cenas de Krishna e Rhada e da cerimônia. Alcançando sucesso, em sua estréia; mais que Os Frescos de Adjunta.
    Foi com este ballet que Uday se tornou conhecido e começou mostrar ao ocidente a sua dança, após um ano na cia de Pavlova, o bailarino vai aprofundar seus estudos em Paris e na Índia, montando sua própria companhia, apresentando a dança hindu em toda Europa.
    Pavlova conheceu Rukmini Devi em uma viagem de navio com destino a Austrália, introduzindo esta ao mundo da dança.
    Em sua segunda visita a Índia, Pavlova pede a Tagore um poema para um ballet, mas nem o poema e nem a dança acabam se materializando. 
    Faleceu em 23 de janeiro de 1931, com pneumonia. 

Ruth St. Denis


    A dança moderna surge em meio à revolução industrial, em volta das crises financeiras, das guerras, e de uma nova forma de arte, que fala do homem, de suas experiências e de seu cotidiano. A dança passa a ser uma forma de expressão do interior do ser humano, de seus medos e de seus sonhos. Ela não buscava uma nova técnica, mas métodos por meio do qual o corpo pudesse se expressar.
Havia uma nova experiência nos Estados Unidos, onde a glória estava na fusão da emoção, do espírito e da psique; unindo-se com a técnica, a estética e a criatividade; não existindo a divisão entre espírito e corpo, religião e arte. E neste contexto a dança estava inserida, fazendo o homem buscar o conceito de si mesmo e do mundo que o cerca.
Ruth St Denis foi umas das bailarinas e coreógrafas que buscou estas inovações. Seus movimentos buscavam utilizar todos os instrumentos musicais; inovou com novos cenários, figurinos, aulas de diversas técnicas para os bailarinos, incluíndo ballet sem sapatilha e dança indiana.Ted Shawn também revolucionária dando aula de técnica masculina, rompeando as diferenças de movimentos entre os sexos na dança. Dentro de todas as técnicas buscava-se um ponto central, no plexo solar, da qual surgiria novos movimentos para expressar a vida.
Em 1914 foi criada a Denishawnschool, em Los Angeles; visando a formação do bailarino como um todo, corpo, mente e espírito; divulgando as danças orientais no ocidente.

Shiva Nataraja


Shiva (o benévolo) é conhecido como “senhor do tríplice tempo” (passado, presente e futuro) e sua personalidade apresenta-se extraordinariamente rica em contrastes. Ele é um ser devorador como Kala (o Tempo), mas também misericordioso em todas as suas ações (Shankar), sendo cultuado em todos os lugares como um princípio universal de destruição com o intuito de renovação. (SARASWATI, 2006:148)
Na tradição hindu, Shiva é o destruidor; fazendo parte da Trindade Hindu, onde Brahma é o criador e Vishnu o preservador. Na verdade Shiva destrói para construir algo novo, assim, poderíamos chamá-lo de "renovador" ou "transformador". Suas primeiras representações surgiram no neolítico (4.000 a.C.), Idade do Bronze, na forma de Pashupati, o Senhor dos Animais; cultuado entre os dravidas, sendo o mais antigo Deus hindu. Shiva é o Deus supremo (Mahadeva), o pacífico (Shankara) e o benevolente, onde reside toda a alegria (Shambo ou Shambhu). Também possui o Lingam, símbolo do órgão sexual masculino, ligado a representação da fertilidade, e ao culto dos mortos na região central da Índia; ao seu lado encontramos sempre o símbolo do órgão sexual feminino, o Yoni; nesta representação vemos o que existe em diversos povos, a união dos opostos que dão o equilíbrio. 

Shiva possui vários nomes, os principais são: Pashupati, Nataraja, Shambo, Shankara, Ardharísshvara, Mahadeva, Bhikshatana, Veenadhara, Yogeshvara, entre outros. Na forma de Shiva Nataraja, ele aparece como o Rei (raja) dos Dançarinos (nata).

Na Índia a dança está associada a vida; a criação e a destruição são uma dinâmica universal, simbolizada por Shiva Nataraja, dentro de um círculo de fogo; nele o universo se interage e se cria, dando vida e movimento a tudo que existe, atingindo a verdade através de sua dança, que segundo Saraswati (2006) somam-se 108. “O significado mais profundo da dança de Shiva é sentido quando se compreende que ela acontece dentro de nós” (COOMARASWAMY apud RIBEIRO, 1999:9). 

As cinco atividades de Shiva (que são as atividades divinas): a criação (srishti), a manutenção/preservação (sthiti), a destruição (laya ou samhara), a reencarnação (tirobhava) e a salvação (anugraha) são chamadas de panchakria (penta-atividade de Shiva). 

Segundo Coomaraswami (1978) citado por Saraswati (2006:150),

(...) a dança de Shiva tem significado tríplice. Em primeiro lugar, ela representaria o jogo rítmico como fonte de todo o dinamismo existente no cosmo. Em segundo, a finalidade da dança seria libertar os seres das armadilhas de Maya, a ilusão e ignorância. Em terceiro, indicaria que o local da dança é Chindambaram, o centro do universo, que se encontra no coração.
Segundo Romano (2005 [não publicado]), a história de origem do Nataraja é atribuída à Deusa Parvati, filha do Himalayas, em sua forma da Deusa Kali em uma competição de dança no Templo de Chidambaram em Natyamandapa. Estavam envolvidos, também, todos os outros seres divinos: Saraswati que tocava sua Veena, Indra tocava a flauta, Brahma tocava os címbalos, Vishnu tocava o Mrdungam, enquanto Lakshmi cantava; Vishnu fazia o papel de juiz da competição. Os Deuses, semi-deuses, apsaras, yakshas, gandharvas, todos testemunhavam a dança celestial. 
Tudo levava a crer que Kali venceria, pois estava dançando muito bem, mas Shiva com medo de perder, teve uma idéia para derrotá-la e a colocou em ação: deixou seu brinco cair no chão, e pegou o brinco do chão usando seu próprio pé, e levantou sua perna para colocá-lo na orelha. Kali não podia fazer este tipo de movimento porque era inadequado à uma mulher, portanto, perdeu a competição. 

Segundo Sarabhai (2007) Parvati foi a primeira professora que ensinou dança às pessoas na terra. E que Bharatha teria pedido ajuda a Shiva para os primeiros passos de dança.

Outra versão de sua origem, de acordo com os Puranas, diz que os rishis questionaram a relevância de Deus, questionando que apenas a ação tinha importância já que o Karma era tudo. Para remover a ignorância, Shiva tomou a forma de Sundaramoorthy e foi até a vila, encantando todas as mulheres que o seguiram. Os rishis enganados, ficaram enfurecidos e tomados como tolos conduziram uma cerimônia védica para destruir Shiva. Primeiramente do fogo veio o demônio Muyalagan dando inicio à dança cósmica. Shiva prendeu o demônio Muyalagan sob seu pé e as cobras que vieram do fogo se tornaram à guirlanda de Shiva. Um veado de grandes chifres se tornou pequeno e foi segurado em uma das mãos. A pele de um tigre foi retirada e usada como sua própria roupa enrolada na cintura enquanto com a outra mão capturou o fogo. O som do mantra se tornou suas tornozeleiras e então a forma de Shiva Nataraja se manifestou; segundo Romano (não publicado).

Segundo Gaston (1996), Rukmini Devi foi a primeira a colocar na sala de aula uma estátua de Shiva Nataraja; mas para algumas dançarinas isto não era preciso, pois o que deve existir é devoção dentro de cada pessoa.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Festa HSBC

O grupo Natyakshithi fez apresentações de bollywood na Festa do HSBC no Taboo no dia 05 de agosto...










Lançamento de livro

No dia 06 de agosto o grupo Natyakshithi participou do lançamento do livro : O eterno companheiro - Vida e ensinamento de Swami Brahmananda na Vendanta de Curitiba, com a presença do Swami Nirmalatmananda.