segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Encomex - Mercosul

O grupo Natyakshithi estava presente no encontro do Mercosul na cidade de Curitiba no dia 01 de dezembro de 2011.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Bharata Natyam X Ballet Clássico

O homem começou a dançar na pré-história para expressar-se, comunicar-se com sua tribo e com os Deuses; pela exuberância física; para a fertilidade da terra e do homem; em nascimentos, casamentos e falecimentos; para pedir Sol ou chuva. A dança era sinônimo de religião, e a religião sinônimo de vida; e estes davam sentido aos movimentos humanos e significados a sua expressão. Durante anos o homem foi codificando e decodificando estes movimentos de acordo com suas crenças, necessidades e habilidades; e assim as diferentes danças surgiram em cada canto do mundo; cada qual com sua particularidade (BAIAK, 2007).
Na Índia, há 5000 anos, segundo Sarabhai (2007), a dança clássica surgiu como meio de comunicação entre os humanos e os Deuses; revelando valores e crenças. Esta dança se desenvolveu de acordo com cada região da Índia, resultando em 7 estilos clássicos, sendo o Bharata natyam o mais antigo.
A dança passou dos templos para os teatros, da Índia para o mundo; sofrendo modificações em sua estrutura e na vida de seus bailarinos (ANDRADE, 2007).
Segundo Kothari (2000) uma das pessoas mais importantes na recuperação deste estilo de dança após o reinado britânico foi Rukmini Devi, que antes de iniciar seus estudos na dança indiana, fez ballet clássico sobre os cuidados de Anna Pavlova, grande bailarina clássica, que se inspirou na cultura indiana e japonesa para suas produções.

        
Anna Pavlova (http://artdecoblog.blogspot.com) Rukmini Devi (mahamediaonline.com)

Foi na Renascença, quando a burguesia obteve novos valores, que o ballet clássico começou sua trajetória no mundo da dança para mostrar toda glória, luxo e poder  através de apresentações com temas sobre príncipes e Deuses dentro dos próprios castelos e palácios. Graças ao incentivo de reis e rainhas, como Catarina de Médices e Luiz XIV, o ballet  foi ganhando força perante a sociedade e teve seu apogeu de desenvolvimento nos séculos XVIII e XIX na França (PORTINARI, 1989). Na mesma época em que a Índia era invadida pelos ingleses e pelos franceses.

      
http://balletforever.zip.net/                                    http://www.flickriver.com

Segundo Soneji (2010) depois da primeira apresentação de dança indiana na Europa, em 1838, vários libretistas escreveram óperas e ballets com temas indianos; pois as dançarinas indianas encantaram o público europeu, assim como deixaram fascinadas as principais bailarinas francesas da época, Marie Taglioni e Fanny Elssler. O autor também cita que a Kalakshetra, academia internacional de artes fundada por Rukmini Devi, incluía aulas de ballet clássico como parte de seu treinamento de bharata natyam.
A dança clássica indiana e a européia surgiram em países e em épocas diferentes, mas estas duas técnicas possivelmente se encontraram quando o ballet clássico foi codificado e o bharata natyam reformulado. Para Fischer (1959) a arte reflete a capacidade do homem de associar e circular experiências e idéias. Por isto, as semelhanças entre estas duas danças pode ser o resultado do “encontro” de duas sociedades distintas. 
As evidências históricas apontam para uma possível relação entre a dança clássica indiana bharata natyam e o ballet clássico. Mas, existem poucos estudos científicos sobre este tema. Assim, como a dança possui poucas pesquisas, no Brasil, onde ela ainda é pouco reconhecida como uma profissão e como uma área de conhecimento. Um exemplo desta realidade, está nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), onde a arte, incluíndo a dança, passou a fazer parte da educação, tornando-se uma área de conhecimento, somente em 1997 (MARQUES, 1999).
Segundo Mauss (1974), a técnica é uma tradição que muda de acordo com cada sociedade e época; tendo diversos meios para diversos fins. Por isso, temos várias técnicas no mundo, cada indivíduo, cada sociedade possui uma cultura e uma história diferente da outra.

    
http://www.taringa.net                                        http://2nilssons.com

O ballet clássico e o bharata natyam podem ser julgados por reconhecer critérios e padrões. Ambas são padronizadas por uma elite, e são apresentadas depois de anos de treino. É necessário conhecimento de técnica para sua completa apreciação.
As técnicas corporais seriam nada mais que a capacidade do corpo de adaptar-se diante de variadas situações, criando, assim, um hábito que é passado às novas gerações; e mudando de acordo com cada povo e com cada período histórico. Quando duas ou mais técnicas se encontram em algum período da história, elas podem se fundir, levando as futuras gerações uma tradição modificada pela influência de outra sociedade e cultura. Levando em consideração as teorias de desenvolviemento humano de Gallahue e Ozmun (2001) somos resultado da nossa genética, do meio em que vivemos e das tarefas que realizamos; então se Rukmini Devi fez ballet clássico, não há como o estilo desenvolvido por ela do bharata natyam  não ter sofrido influência do ballet ocidental.
Assim, também o ocidente pode ter levado da Índia não apenas temas para seus ballets, mas também movimentos corporais; como Anna Pavlova além de resgatar o que a Europa havia esquecido, os grandes monumentos e as belas tradições das danças indianas, sofreu influência corporal em suas composições; com a ajuda de um bailarino indiano, Uday Shankar, que juntos montaram espetáculos como “Radha and Krishna” e “Hindu Wedding”; sendo um sucesso na Europa, no Estados Unidos e na própria Índia.  Pavlova foi muito aplaudida com suas coreografias “modernas indianas”.

  

Mesmo o papel do bharathanatyam nos templos tendo uma dimensão totalmente diferente do ballet nos palácios europeus (GASTON, 1996) não podemos deixar de pensar em suas semelhanças técnicas que podem ser o resultado de um “encontro” no final do século XVIII e início do século XIX.
Para Gaston (1996) a visão artística do bharata natyam sempre vai ser diversa e continuará como toda arte se adaptando e mudando.


Artigo publicado na Revista Dança Brasil/ janeiro 2012





terça-feira, 8 de novembro de 2011

Virada Cultural e Mostra Paranaense de Dança

Apesar de não estar na programação oficial, a Virada Cultural contou com diversas apresentações de dança nas Ruinas de São Francisco e na Casa Hoffmann. O grupo Natyakshithi se apresentou no domingo, recebendo muitos aplausos.
Logo em seguida aconteceu a etapa final da Mostra Paranaense de Dança no Guaírinha; onde o grupo havia se classificado no começo do ano.


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Personalidades da dança indiana


Balasaraswati


    Vinda de uma família com tradição em dança e música, na côrte de Tanjore, e descendente do sistema devadasi, Balasarswati nasceu em Madras, em 13 de maio de 1918. Começou seus estudos na dança em 1923 com Nattuvanar Kandappa Pillai e na música com Jayammal, também teve outros renomados professores. Fez sua primeira apresentação (arangetram) aos 7 anos de idade em 1925; mostrando seu talento para a dança.
    Dançou em vários países e ganhou muitos prêmios. Foi considerada a rainha da expressão, pois no seu trabalho era enfocado o abhinaya.
   Além de ministrar aulas na Índia também ministrou aulas nos Estados Unidos. E cantava cantos de louvor aos deuses em suas apresentações, segundo Joaquim (2008).
   A arte foi sua vida e teve toda sua dedicação. Para Menon (s.d.) todas as tradições, de todos os lugares, tiveram vários artistas importantes, mas na Índia havia apenas uma: Balasaraswati. 
   
Ram Gopal

    Nasceu em Bangalore, sul da Índia, em 20 de novembro de 1912; e tornou a dança sua vida. Aprendeu bharata natyam com os gurus Meenakshisundaram Pillai e Kattumanarkoil Pillai, kathak com os gurus Jailal e Sohalal, e kathakali com os gurus Kunjukurup e Vallatol Narayanam Menon. Gopal afirmava “meu lado direito é Bharatha Natyam, o esquerdo é Kathakali, e em minhas pernas repousa o Kathak” (JOACHIM, 2008). Segundo Khotari (2000) tinha uma brilhante imaginação, e uma harmonia excelente entre expressão e nritta (dança pura e vigorosa). E teve sua inspiração em Uday Shakar, bailarino indiano que fez parte da companhia de Anna Pavlova (bailarina clássica).
    Em 1936 faz sua primeira turnê, é o primeiro bailarino indiano a se apresentar no ocidente; e é considerado pela critica o Nijjinski (renomado bailarino clássico ocidental) da Índia, segundo Khonkar (2003); fazendo sucesso nos teatros mais importantes do mundo.

Dois filmes foram feitos sobre sua vida: “Ram” e “Aum Shiva”.


Rukmini Devi

    Nasceu em 29 de fevereiro de 1904, em uma família brahmin. Seu pai, Nilakanta Sastri, fazia parte da Sociedade Teosófica; área pela qual Rukmini também se interessou, e aplicou em sua vida e mais tarde em sua escola; sua mãe era Seshammal, dedicada a música. Aos 16 anos casou-se com o Dr. George Sydney Arundale, um estrangeiro. Faleceu em fevereiro de 1986.

    Em uma viagem de navio para a Austrália com seu marido conheceu a famosa bailarina russa Anna Pavlova; e começou a fazer ballet clássico aos seus cuidados com Cleo Nordi (um de seus bailarinos solistas), e posteriormente dança indiana por sua indicação.
   Começou seus estudos em bharathanatyam no ano de 1932, com 29 anos, com Gowri Amma, Pandanallur Meenakshi Sundaram Pillai e depois com E. Krishna Iyer na Madras Music Academy, onde se mantinha a tradição do quarteto de Tanjavur. Sua primeira apresentação foi em dezembro 1935, com 31 anos, na “Diamond Jubilee Convention of the Theosophical Society”, com um público de duas mil pessoas; e sua primeira turne em 1939. E sua última apresentação foi em 1950 com 46 anos.
   Foi uma das responsáveis pelo renascimento do bharata natyam, tirando a parte erótica da dança e colocando um significado espiritual, suas coreografias adoravam os Deuses e não princípes e reis; introduziu a dança-teatro neste estilo de dança . Revisou o figurino e lutou pelo fim do sistema devadasi, afinal sua família não pertencia a este sistema. 
   Criou a Kalakshetra – Foundation College of fine Arts (academia dedicada à arte em Chennai) em 1936; ao lado de renomados gurus; atualmente é considerada a melhor escola de bharathanatyam da Índia; usando o sistema guru – sishya, um processo de ensino entre professor e aluno e não mais de geração para geração; sendo permitido também o ensino a estrangeiros e pessoas de outras religiões. Em 1993 a Kalakshetra foi considerada um instituto de importancia nacional pelo ministro de recursos humanos e desenvolvimento da índia. 

Krishna Iyer

    E. Krishna Iyer nasceu em 9 de agosto de 1897  e morreu em janeiro de 1968; formado em advocacia lotou pela independência da Índia e pelas artes.
    Sua luta pelo renascimento do Bharata natyam começou quando ele integrou o grupo de teatro Suguna Vilasa Sabha e aprendeu a dança Sadir (bharata natyam). Fundou a Academia de Música em Madras e tornou-se critíco de arte. Uniu-se a Rukmini Devi Arundale para revitalizar está dança que estava em declínio.
    Em 1932 nomeou a dança Sadir como Bharata natyam (dança da Índia) e tirou toda a parte erótica da dança, trabalhando pela abolição do sistema devadasi; que foi conseguido pela lei em 1947. Desta forma contribuíu para o reflorecimento da dança indiana.


Uday Shankar


    Nasceu em 8 de dezembro de 1900, em Udaipur – Rajasthan, e morreu em 26 de setembro de 1977. Foi o pioneiro da dança moderna na Índia, adaptando técnicas ocidentais e indianas; apesar de não ter tido um treinamento formal em nenhuma destas técnicas. Foi um renomado bailarino e coreógrafo criativo, recebendo diversos prêmios.
    Foi em Londres que Uday Shankar começou a mostrar ao mundo a dança indiana, tornando-se também um empresário amador e aluno do Royal College of Art, conhecendo a famosa bailarina Anna Pavlova, com qual mais tarde iria dançar e produzir espetáculos baseado em temas hindus, antes de seguir sozinho e com sua cia pelo mundo.
    Na Índia, fez seu único filme, Kalpana (imaginação); e dançou em um filme produzido em Maras pelo Gemini Studio. E se reestabeleceu na Índia em 1960 deixando um legado imenso para a dança indiana e arte mundial.

Quarteto de Tanjore

    O Bharata natyam que conhecemos hoje é o resultado do trabalho feito na primeira metade do século XIX pelo Quarteto de Tanjore (Chinnaiya, Ponaiyah, Sivananda e Vadivelu). Estes irmãos deram forma a dança, criando o Margam (repertório),  na ordem que conhecemos atualmente: do alaripu até a tillana.
    Também contribuiram com a sistematização dos adavus (passos), criando uma sequência lógica  e progressiva numa determinada tala (ritmo). Criaram músicas especifícas para a dança e para cada item do repertório.

BAILARINOS ESTRANGEIROS QUE CONTRIBUÍRAM 
PARA A HISTÓRIA DA DANÇA INDIANA

Anna Pavlova


    Segundo Ribas (1962) Pavlova, bailarina russa, era sacerdotisa e apóstola da religião e da arte, e levou a dança para o mundo, fazendo com que pessoas de todas as nacionalidades e crenças se dedicassem a arte da dança. Muitos críticos dizem que ela não era grande em sua técnica, mas sim em sua arte e em seu gênio, por isso que foi e é admirável e ninguém conseguiu ser mais sublime.
    No décimo aniversário do Marinsky (teatro russo), Anna Pavlova apareceu dançando “La Bayadere”, baseado na vida de uma devadasi que é apaixonada por um hindu; este período começa seu envolvimento com a Índia. Mas, só em 1921, que Anna Pavlova, juntamente com sua companhia, partiria para o extremo-oriente, que para Ribas (1962) é o momento mais brilhante de sua carreira.
Chegou em Calcutá, Índia, em 1923, com grande sucesso. Apesar de ser um mundo totalmente diferente, como o Japão e a China, que havia estado anteriormente, ali tudo a impressionava e a fazia lembrar da Rússia, de suas igrejas, de sua arte, de sua religião. As danças hindus a emocionavam e decidiu ficar mais tempo em Calcutá para aprender os hastas mudras, adquirindo também o manual sagrado da dança. Segundo Ribas (1962) Anna afirmava que só depois que viu as danças hindus, é que viu a verdadeira dança.
Posteriormente foi para Bombay (hoje Mumbay) e para Delhi, alcançando grande sucesso e se interessando cada vez mais pela arte indiana, e recebendo grandes festas em sua homenagem. Quando saiu da índia, seu desejo era levar as danças hindus para a Inglaterra, e fazer um novo bailado onde pudesse acrescentar a riqueza oriental.
    Fez pequenos ballets interpretando danças indianas e japonesas, no “Impressões Orientais”, e no bailado “Os Frescos de Adjunta”, apenas dança hindu; em apresentações audaciosas. Foi na montagem destes ballets que conheceu Uday Shakar, aluno da Royal College of Arts, entrando em sua companhia enriquecendo suas coreografias; aproximando as técnicas do ocidente e do oriente, pois conhecia tanto as danças sagradas e populares hindus, quanto às danças e os teatros japoneses e chineses.
    Uday compôs cenas para Impressões Orientais, tanto na primeira parte baseada nas danças japonesas quanto na segunda, no Casamento hindu, nas cenas de Krishna e Rhada e da cerimônia. Alcançando sucesso, em sua estréia; mais que Os Frescos de Adjunta.
    Foi com este ballet que Uday se tornou conhecido e começou mostrar ao ocidente a sua dança, após um ano na cia de Pavlova, o bailarino vai aprofundar seus estudos em Paris e na Índia, montando sua própria companhia, apresentando a dança hindu em toda Europa.
    Pavlova conheceu Rukmini Devi em uma viagem de navio com destino a Austrália, introduzindo esta ao mundo da dança.
    Em sua segunda visita a Índia, Pavlova pede a Tagore um poema para um ballet, mas nem o poema e nem a dança acabam se materializando. 
    Faleceu em 23 de janeiro de 1931, com pneumonia. 

Ruth St. Denis


    A dança moderna surge em meio à revolução industrial, em volta das crises financeiras, das guerras, e de uma nova forma de arte, que fala do homem, de suas experiências e de seu cotidiano. A dança passa a ser uma forma de expressão do interior do ser humano, de seus medos e de seus sonhos. Ela não buscava uma nova técnica, mas métodos por meio do qual o corpo pudesse se expressar.
Havia uma nova experiência nos Estados Unidos, onde a glória estava na fusão da emoção, do espírito e da psique; unindo-se com a técnica, a estética e a criatividade; não existindo a divisão entre espírito e corpo, religião e arte. E neste contexto a dança estava inserida, fazendo o homem buscar o conceito de si mesmo e do mundo que o cerca.
Ruth St Denis foi umas das bailarinas e coreógrafas que buscou estas inovações. Seus movimentos buscavam utilizar todos os instrumentos musicais; inovou com novos cenários, figurinos, aulas de diversas técnicas para os bailarinos, incluíndo ballet sem sapatilha e dança indiana.Ted Shawn também revolucionária dando aula de técnica masculina, rompeando as diferenças de movimentos entre os sexos na dança. Dentro de todas as técnicas buscava-se um ponto central, no plexo solar, da qual surgiria novos movimentos para expressar a vida.
Em 1914 foi criada a Denishawnschool, em Los Angeles; visando a formação do bailarino como um todo, corpo, mente e espírito; divulgando as danças orientais no ocidente.

Shiva Nataraja


Shiva (o benévolo) é conhecido como “senhor do tríplice tempo” (passado, presente e futuro) e sua personalidade apresenta-se extraordinariamente rica em contrastes. Ele é um ser devorador como Kala (o Tempo), mas também misericordioso em todas as suas ações (Shankar), sendo cultuado em todos os lugares como um princípio universal de destruição com o intuito de renovação. (SARASWATI, 2006:148)
Na tradição hindu, Shiva é o destruidor; fazendo parte da Trindade Hindu, onde Brahma é o criador e Vishnu o preservador. Na verdade Shiva destrói para construir algo novo, assim, poderíamos chamá-lo de "renovador" ou "transformador". Suas primeiras representações surgiram no neolítico (4.000 a.C.), Idade do Bronze, na forma de Pashupati, o Senhor dos Animais; cultuado entre os dravidas, sendo o mais antigo Deus hindu. Shiva é o Deus supremo (Mahadeva), o pacífico (Shankara) e o benevolente, onde reside toda a alegria (Shambo ou Shambhu). Também possui o Lingam, símbolo do órgão sexual masculino, ligado a representação da fertilidade, e ao culto dos mortos na região central da Índia; ao seu lado encontramos sempre o símbolo do órgão sexual feminino, o Yoni; nesta representação vemos o que existe em diversos povos, a união dos opostos que dão o equilíbrio. 

Shiva possui vários nomes, os principais são: Pashupati, Nataraja, Shambo, Shankara, Ardharísshvara, Mahadeva, Bhikshatana, Veenadhara, Yogeshvara, entre outros. Na forma de Shiva Nataraja, ele aparece como o Rei (raja) dos Dançarinos (nata).

Na Índia a dança está associada a vida; a criação e a destruição são uma dinâmica universal, simbolizada por Shiva Nataraja, dentro de um círculo de fogo; nele o universo se interage e se cria, dando vida e movimento a tudo que existe, atingindo a verdade através de sua dança, que segundo Saraswati (2006) somam-se 108. “O significado mais profundo da dança de Shiva é sentido quando se compreende que ela acontece dentro de nós” (COOMARASWAMY apud RIBEIRO, 1999:9). 

As cinco atividades de Shiva (que são as atividades divinas): a criação (srishti), a manutenção/preservação (sthiti), a destruição (laya ou samhara), a reencarnação (tirobhava) e a salvação (anugraha) são chamadas de panchakria (penta-atividade de Shiva). 

Segundo Coomaraswami (1978) citado por Saraswati (2006:150),

(...) a dança de Shiva tem significado tríplice. Em primeiro lugar, ela representaria o jogo rítmico como fonte de todo o dinamismo existente no cosmo. Em segundo, a finalidade da dança seria libertar os seres das armadilhas de Maya, a ilusão e ignorância. Em terceiro, indicaria que o local da dança é Chindambaram, o centro do universo, que se encontra no coração.
Segundo Romano (2005 [não publicado]), a história de origem do Nataraja é atribuída à Deusa Parvati, filha do Himalayas, em sua forma da Deusa Kali em uma competição de dança no Templo de Chidambaram em Natyamandapa. Estavam envolvidos, também, todos os outros seres divinos: Saraswati que tocava sua Veena, Indra tocava a flauta, Brahma tocava os címbalos, Vishnu tocava o Mrdungam, enquanto Lakshmi cantava; Vishnu fazia o papel de juiz da competição. Os Deuses, semi-deuses, apsaras, yakshas, gandharvas, todos testemunhavam a dança celestial. 
Tudo levava a crer que Kali venceria, pois estava dançando muito bem, mas Shiva com medo de perder, teve uma idéia para derrotá-la e a colocou em ação: deixou seu brinco cair no chão, e pegou o brinco do chão usando seu próprio pé, e levantou sua perna para colocá-lo na orelha. Kali não podia fazer este tipo de movimento porque era inadequado à uma mulher, portanto, perdeu a competição. 

Segundo Sarabhai (2007) Parvati foi a primeira professora que ensinou dança às pessoas na terra. E que Bharatha teria pedido ajuda a Shiva para os primeiros passos de dança.

Outra versão de sua origem, de acordo com os Puranas, diz que os rishis questionaram a relevância de Deus, questionando que apenas a ação tinha importância já que o Karma era tudo. Para remover a ignorância, Shiva tomou a forma de Sundaramoorthy e foi até a vila, encantando todas as mulheres que o seguiram. Os rishis enganados, ficaram enfurecidos e tomados como tolos conduziram uma cerimônia védica para destruir Shiva. Primeiramente do fogo veio o demônio Muyalagan dando inicio à dança cósmica. Shiva prendeu o demônio Muyalagan sob seu pé e as cobras que vieram do fogo se tornaram à guirlanda de Shiva. Um veado de grandes chifres se tornou pequeno e foi segurado em uma das mãos. A pele de um tigre foi retirada e usada como sua própria roupa enrolada na cintura enquanto com a outra mão capturou o fogo. O som do mantra se tornou suas tornozeleiras e então a forma de Shiva Nataraja se manifestou; segundo Romano (não publicado).

Segundo Gaston (1996), Rukmini Devi foi a primeira a colocar na sala de aula uma estátua de Shiva Nataraja; mas para algumas dançarinas isto não era preciso, pois o que deve existir é devoção dentro de cada pessoa.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Festa HSBC

O grupo Natyakshithi fez apresentações de bollywood na Festa do HSBC no Taboo no dia 05 de agosto...










Lançamento de livro

No dia 06 de agosto o grupo Natyakshithi participou do lançamento do livro : O eterno companheiro - Vida e ensinamento de Swami Brahmananda na Vendanta de Curitiba, com a presença do Swami Nirmalatmananda.




segunda-feira, 25 de julho de 2011

29º Festival de Dança de Joinville

         Neste final de semana, dias 23 e 24 de julho de 2011, o grupo Natyakshithi participou do 29º  Festival de Dança de Joinville - SC, considerado o maior do mundo.
        O grupo realizou apresentações na Praça Nereu Ramos, Garten Shopping, Shopping Müller, Shopping Cidade das Flores e na Feira da Sapatilha sob muitos aplausos do público.
        Para mais informações sobre o festival acesse o site: http://www.festivaldedanca.com.br/







                    O Festival de Dança de Joinville completou este ano sua 29º edição. Com apresentações aberta ao público em geral, competições, cursos, seminários, entre outras atrações, fazendo com que seja o maior festival do mundo. Inserindo a dança na área artístico-cultural, de lazer, de saúde e de educação.
                São 10 dias em que a cidade respira dança em todos os lugares e horários. Onde podemos experienciar, aprender, compartilhar, apreciar, saborear, se emocionar e porque não ver dança indiana?
                Ano passado o grupo Padma de Florianópolis participou da noite competitiva com uma coreografia de Bollywood e este ano eu participei com uma coreografia de Bharata natyam nos palcos abertos, dançando na Praça Nereu Ramos, Garten Shopping, Shopping Müller, Shopping Cidade das Flores e na Feira da Sapatilha, tudo isto em dois dias.
                Vejo aqui na minha cidade, Curitiba, que as pessoas ainda tem muita resistência à dança indiana, independente do seu estilo, devido as informações incompletas e erôneas que circulam pelos meios de comunicação. E, neste festival, pude perceber que é possível inserir a dança indiana no meio nacional da dança, e que seja reconhecida pelos profissionais.
                Nestas cinco apresentações que fiz no festival, não somente fui muito aplaudida pelo público, mas também senti que as pessoas estavam gostando e admirando o que estavam vendo. Como também me faziam várias perguntas antes e depois.
                Andar com o figurino pela Feira da Sapatilha também foi uma experiência muito boa. É lógico que chamei muita atenção e deixei as pessoas curiosas com toda aquela roupa e ornamentos; isto fez com que elas viessem conversar comigo sobre a dança que eu fazia e se interessassem em assistir minha próxima apresentação.
                Foi muito bom perceber que mesmo a dança indiana tendo “uma cultura” tão diferente da nossa, ela é capaz de alcançar a platéia brasileira, mesmo que esta não tenha nenhum conhecimento sobre a cultura e a filosofia hindu. Que ela encanta e emociona o público.
                Acredito que a dança indiana foi reconhecida por aqueles que a assistiram e isto prova que nossa arte precisa ser mais divulgada ao público em geral, e não apenas aqueles que tem interesse pela cultura indiana. Pois, nós, profissionais da arte indiana, também temos espaço no meio das outras danças que dominam o mercado brasileiro, como ballet, jazz, contemporâneo e hip hop.
                A dança está crescendo em nosso país, cada vez mais as pessoas se conscientizam sobre seus benefícios, independente da área em que está inserida. E, espero que desta forma, a dança indiana também cresça e seja valorizada!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Workshop de dança indiana



WORKSHOP DE DANÇA INDIANA

BHARATA NATYAM e BOLLYWOOD

Data: 29 de julho
         
          15hs – 16:30hs  Bharata natyam (dança clássica)
          16:30hs – 18hs  Bollywood (dança do cinema)

Valor: R$ 50,00 cada aula ou
            R$ 80,00 as duas aulas

Local: Espaço de Bem com a Vida
           Rua Parnaiba, 354
           São Francisco
           Curitiba - PR
           Fone: 3015 4836

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Notícias sobre o espetáculo Natyam pela clockwork comunicação



Clockwork Comunicação
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